domingo, 9 de setembro de 2012

Medindo os treinos


Especialistas explicam métodos diretos e indiretos para a avaliação da carga de treino no ciclismo de competição

16/08/2012 10:04 | Por Tiago Canal Jacques e Rodrigo Bini – GEPEC - Grupo de Estudo e Pesquisa em Ciclismo www.gepecbrasil.com, tcjacz@gmail.com, bini.rodrigo@gmail.com

Foto: Ivan Padovani
O treinamento no ciclismo geralmente utiliza medições indiretas como a frequência cardíaca (FC). Contudo, métodos diretos como os potenciômetros (power meters) que estão no mercado por preços cada vez mais atraentes, possuem vantagens.
O fato da FC ser um método indireto de controle da carga de trabalho pode ser explicado pela queda da capacidade cardiovascular em atividades de longa duração, quando ocorre o aumento da frequência cardíaca e concomitante redução no volume de sangue ejetado pelo coração - principalmente em situações de hipoidratação e/ou hipertermia (Montain e Coyle, 1992).
Além de ser influenciada por esses fatores, a função cardiovascular também pode ser alterada em função do posicionamento do ciclista (Jeukendrup e Van Diemen, 1998).
Vogt et al. (2006) comparou medições diretas (via potenciômetro) com medições indiretas (via frequência cardíaca) em seis ciclistas profissionais durante seis estágios de uma competição oficial da UCI. Os resultados demonstraram diferenças entre os métodos no tempo de trabalho em diferentes intensidades durante os estágios. Os autores observaram que a FC subestimou os tempos de permanência dentro das zonas de baixa e alta intensidades, enquanto superestimou o tempo de permanência na zona de média intensidade. A explicação, segundo os autores, pode estar relacionada a uma adaptação lenta do sistema cardiovascular em resposta as rápidas elevações ou reduções na potência, comuns em situações de competição.
Por exemplo, a FC pode estar em uma intensidade intermediária, enquanto a potência já está em uma intensidade mais baixa (ex: trechos com declive). Ou o contrário, o ciclista produz potência rapidamente durante um sprint e a FC ainda está em uma intensidade moderada, ocorrendo um atraso na adaptação da frequência.

Além disso, a queda da capacidade cardiovascular ocasionada pela desidratação, e pelo aumento da temperatura, pode influenciar, sendo que nessas condições a frequência de batimentos por minuto pode estar elevada em até 20 batimentos quando comparada a situações de hidratação e temperatura ideais. Dessa forma, o método direto parece ser mais preciso para a quantificação da carga de trabalho e para a prescrição do treinamento. Com isto, a frequência cardíaca deve ser utilizada com cautela como método de controle da intensidade do exercício, especialmente em situações de elevada temperatura e umidade.

Referências
VOGT, S. et al. Power output during stage racing in professional road cycling. Medicine and Science in Sports and Exercise [S.I.], v. 38, n. 1, p. 147-151, 2006.
MONTAIN S. J. and COYLE E. F. Influence of graded deyhidratation on hyperthermia and cardiovascular drift during exercise. Journal of Applied Physiology, v.73, p. 1340-1350, 1992.
JEUKENDRUP A. and VAN DIEMEN A. Heart rate monitoring during training and copetition in cyclists. Journal of Sports Science, v. 16, p. 91-99, 1998.


 

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